Essas férias de fim de ano trouxeram muitos brasileiros de volta ao país para rever família e amigos. O momento de retorno pós férias é de um sentimento duplo, pois mais uma vez há uma separação, o retorno à rotina e também uma constatação de que a vida de hoje já não é mais aquela que se tinha no Brasil (sentindo isso como alívio e peso ao mesmo tempo). Na volta levam na bagagem uma tristeza de estar novamente vivendo esse luto do que se deixou para trás.
Na maior parte das vezes, a rotina vai se retomando, a saudade vai amenizando e as coisas voltam a como estavam antes das férias, com os seus desafios, mas também com o reconhecimento dos ganhos que se tem no país onde se escolheu morar.
“Nem aqui, nem lá”
Algumas pessoas experimentam um sentimento de que o seu país de destino não é a sua casa e o Brasil também já não é mais a sua casa. Se sentem diferentes, não se encaixam mais na vida que levavam aqui, mas também não se sentem inseridos o suficiente no seu novo país para senti-lo como casa.
A cultura, os hábitos, até mesmo algumas das questões alimentares já não são as mesmas de antes de partir. Para outras pessoas o mundo todo é sentido como casa, facilmente se adaptam, quase como se não estivessem deixando nada para trás, não importando de onde estão partindo.
Os movimentos de aculturação acontecem de maneira muito individual e em tempos diferentes para cada sujeito.
Nas visitas e reencontros também pode haver uma percepção de como as coisas se reestruturaram após a sua partida para outro país, o sentimento de que a vida seguiu sem você e, para algumas pessoas, essa percepção gera sentimentos contraditórios.
Os reencontros trazem à tona lembranças, relações e vivências que estavam adormecidas e, dependendo de como isso está internamente, o processo de retorno pode ficar mais difícil.
Quando o desconforto pede atenção
Se após a volta você nota choro frequente, tristeza persistente, dificuldade de retomar as atividades, alterações grandes no sono ou sensação de que “nada faz mais sentido”, vale prestar atenção. Nem sempre é “só saudade”. Pode ser um luto migratório mais profundo precisando de escuta qualificada.
Onde eu volto para casa?
Se você está se perguntando ‘onde é minha casa agora?’, ou simplesmente sentindo esse vazio entre dois mundos, lembre-se a primeira casa é dentro de você mesmo e a psicanálise pode ajudar a dar nome, sentido e novo lugar a esses sentimentos. Estou aqui para caminhar junto com você, em português, de forma online e acolhedora. Me conte como foi (ou está sendo) a sua volta.
Imagens: Freepik
Publicado originalmente em 15/01/2026 em: https://www.angelapsi.com.br/post/nem-aqui-nem-la-o-que-acontece-quando-nem-o-brasil-nem-o-exterior-parecem-mais-sua-casa






