Dentre os muitos desafios que existem em imigrar para outro país, destacam-se dois que representam um perigo invisível para a saúde mental: reconhecer que morar fora exige uma carga enorme de energia de adaptação e o medo de que pedir ajuda (física ou emocional) possa significar que o seu “sonho” não deu certo. Na tentativa de fingir que está tudo bem, aumentam-se as consequências negativas no futuro. Portanto, o primeiro passo para o processo de cura é aceitar a necessidade de ajuda psicológica.
Carl Jung, famoso psiquiatra suíço, afirma: “O que você resiste, persiste. O que você aceita, transforma”. Essa citação expressa a ideia de que tentar evitar um pensamento ou sentimento apenas o torna mais forte. Essa premissa é validada amplamente hoje pela psicologia moderna e pela neurociência através de mecanismos cognitivos como o efeito rebote, o aumento da frequência de pensamentos negativos e a ativação da amígdala cerebral. [1, 2]
Existe uma linha tênue entre a nostalgia normal e o início de um transtorno mental. Muitas pessoas acreditam que ter um bom emprego, uma casa para morar ou estabilidade financeira é o suficiente para o sucesso do seu novo projeto de vida. Porém, existem experiências do passado ou crenças internas que ficam marcadas no inconsciente como um carimbo. De uma hora para outra, ao menor gatilho externo, essas marcas geram transtornos mentais como a depressão ou a ansiedade.
Diante disso, como saber se é o momento de buscar terapia? Existem alguns sinais de alerta importantes:
- a) frequência: a tristeza ou a ansiedade não aparecem apenas de vez em quando, tornam-se diárias ou duram semanas;
b) intensidade: o sentimento é tão forte que paralisa ou domina os pensamentos, trazendo reflexos imediatos nas responsabilidades cotidianas ou nos cuidados pessoais;
c) prejuízo funcional: a pessoa começa a falhar no trabalho, nos estudos e nos cuidados com o próprio corpo e com a saúde física, além de perder o interesse por atividades que antes eram prazerosas;
d) mudanças fisiológicas: alterações perceptíveis no sono e no apetite, manifestadas por dormir demais, insônia, comer por impulso ou falta de apetite;
e) comportamento: irritabilidade, explosões de raiva, falta de paciência com o cônjuge e evitação da cultura local;
f) válvulas de escape: uso excessivo de álcool ou outras substâncias químicas, compras compulsivas e excesso de tempo diante de telas para evitar a solidão.
No contexto do imigrante no exterior, aparecem alguns sintomas específicos, tais como a exaustão mental por ter que falar outro idioma, o isolamento em casa para evitar a interação com a nova cultura ou com os locais, e pensamentos intrusivos de arrependimento.
É importante desmistificar a crença popular de que só procura terapia quem está em condições extremas de sofrimento psíquico. Problemas todos nós temos, mas buscar a terapia significa o desejo ativo de resolvê-los. Nesse cenário, o suporte de um terapeuta brasileiro que fale o seu idioma e compreenda a sua cultura de origem facilita significativamente o processo de cura.
Você está preparado para resgatar o seu poder interno, a sua autoestima e a sua esperança no futuro? O acolhimento profissional pode ser o diferencial nessa jornada.






