invidibilidade e solidão - Angela MAzzotti Mestriner, psicologa

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A relação entre o sentimento de invisibilidade e a solidão

Artigo publicado originalmente na RBL Magazine – Orlando/Flórida, edição de setembro de 2026.

Neste artigo, reflito sobre a relação entre o sentimento de invisibilidade e a solidão vivenciados por algumas pessoas no processo migratório, especialmente diante dos desafios de pertencimento, reconstrução de vínculos e identidade.

O sonho infantil de ser invisível pode se tornar o maior pesadelo de um imigrante. É como se existisse um espaço entre duas margens onde ainda estamos aprendendo a existir.

Algumas pessoas sentem que já não pertencem ao país que deixaram e ainda não se reconhecem como parte do novo lugar.

Você chega a um lugar onde a vida já está acontecendo. As pessoas já têm seus grupos, rotinas, interesses. Surge a sensação de não encontrar um espaço de pertencimento ali e de já não ocupar o lugar que ficou para trás, afinal, a vida seguiu.

Na correria do dia a dia, quem está à volta raramente percebe o enorme esforço do imigrante para tentar encontrar esse lugar no mundo. As pessoas seguem combinando seus programas com os grupos de amigos, muitas vezes diante de você. E o sentimento é de que você está invisível ali.

Diante desse apagamento e dessa invisibilidade, as reações são singulares. Algumas pessoas se fecham, silenciam e desistem de tentar. Não por preguiça, mas pela exaustão de tentar ocupar um lugar que ainda parece não existir.

Vivemos em uma época que espera resultados rápidos. Mas pertencimento, vínculos e reconstrução de identidade não acontecem por decreto. Se constroem nas pequenas escolhas diárias, nos vínculos que se formam, nas referências que pouco a pouco deixam de ser completamente estranhas.

Existe uma diferença importante entre adaptar-se e apressar-se. Respeitar o próprio tempo não significa desistir do processo. Significa permitir que ele aconteça.

O pertencimento talvez seja mais do que reencontrar o lugar que ficou para trás ou ocupar imediatamente um novo espaço. É o que vai sendo construído enquanto aprendemos, aos poucos, a existir entre essas duas margens.

*Psicóloga CRP 07/15.556 (Universidade de Caxias do Sul), Psicanalista (Instituição Psicanalítica Constructo), Associado Efetivo Instituição Psicanalítica Constructo, Especialista em Psicologia Clínica – Abordagem Psicanalítica do Sujeito Contemporâneo (Universidade de Caxias do Sul), Formação em Psicologia Intercultural na Prática Clínica para Brasileiros no Exterior (FaCiência – Psi Terapia no Exterior). Autora do capítulo Isolamento social e solidão no processo migratório em Mentes Imigrantes.

https://revista.rblmagazine.com/books/RBL-MAGAZINE-SETEMBRO-2026/#p=63

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui aconselhamento psicológico, diagnóstico ou indicação de tratamento. Em caso de crise emocional, ligue para o CVV: 188 (válido no Brasil, 24h, gratuito). Se você está fora do Brasil, acesse findahelpline.com.

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