intercambio - Angela Mazzotti Mestriner

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Intercâmbio: um enlace dos destinos geográficos e psíquicos

Choque cultural, saudades, culpa e o valor do acompanhamento psicológico para intercambistas

Planejar um intercâmbio geralmente é uma atividade cheia de emoções e expectativas, um momento de investir em sonhos, dar sequência aos projetos de estudos, iniciar uma nova parte da sua história.

Atualmente os intercâmbios têm sido cada dia mais comuns. Vivemos em uma realidade na qual se tem um banho cultural desde os primeiros anos de vida, seja pela música, filmes, seriados, processos de globalização que movimentam famílias em função do trabalho, maior acesso a viagens ao exterior, enfim, todo um cenário favorável a essa experiência.

Não é raro que um intercâmbio acabe se transformando em um processo migratório, seja pela identificação com a cultura local, por uma oportunidade profissional que se apresenta ou mesmo por um encontro amoroso.

A expectativa e a singularidade da experiência

É importante termos presente que, assim como tudo na vida, o intercâmbio é uma experiência singular, que vai se desenrolar a partir da realidade psíquica de cada sujeito. As expectativas iniciais podem até ser mais gerais, mas o efeito da experiência trará um resultado diferente em cada sujeito, pois irá se encontrar com a realidade emocional única daquela pessoa, com a sua pré-história emocional.

O impacto emocional da chegada

Para algumas pessoas a chegada ao destino é acompanhada de uma sensação de “posso me imaginar aqui para sempre” ou “não consigo me encaixar aqui de jeito nenhum”. E quando há esse desencaixe, vem também a culpa: “como posso não estar feliz e não estar aproveitando essa oportunidade?”. É difícil, inclusive, compartilhar esse sentimento com as pessoas próximas, seja por medo de um julgamento ou até por não querer deixar os familiares preocupados.

São muitas as histórias tanto de desencontros com as expectativas quanto de um encaixe perfeito como se sempre tivesse estado lá. A individualidade do processo deve sempre ser levada em conta.

Alguns fatores, como, por exemplo, a motivação do intercâmbio, o momento de vida dessa pessoa, as relações que se deixam no país de origem, têm um grande impacto em como será vivenciada essa experiência.

Saudade, euforia e separação

Para algumas pessoas a chegada é um momento de euforia e encantos, onde a separação e as saudades ocupam pouco espaço, pois há tanto de novo para descobrir e para viver que o que ficou para trás não está sendo sentido como falta. Para outras, essa primeira separação é muito difícil, a chegada e a adaptação ficam prejudicadas por esta tristeza e essa sensação de que o que se deixou era muito mais do que o estar ali.

A saudade nem sempre se apresenta apenas como vontade de voltar para casa. Ela pode surgir como irritação, desânimo, dificuldade de se conectar com novas pessoas ou até uma sensação constante de comparação entre o país de origem e o país de destino. Quando isso acontece, o intercambista pode acabar vivendo dividido entre dois lugares, sem conseguir se sentir inteiramente presente em nenhum deles.

O operacional vs. o emocional: por que o planejamento psicológico importa

Sabemos que um intercâmbio demanda muitas etapas e, por vezes, o foco está no operacional: documentação, capacidade de autonomia em relação à língua, estrutura financeira, moradia, adaptação ao clima, muitos fatores concretos e o aspecto emocional e a importância de uma rede de apoio só são percebidos quando as dificuldades já estão instauradas.

Ter um acompanhamento nesse processo de planejamento e de execução de um intercâmbio muda completamente a experiência vivida. Estar com uma profissional que tem a capacidade de ter essa escuta culturalmente sensível, mas que também sabe da sua cultura de origem, que fala o seu idioma materno, é levar consigo uma facilitação para viver ao máximo o que o intercâmbio pode proporcionar.

Um conceito importante quando pensamos em movimentos migratórios (sejam temporários ou permanentes) é o de choque cultural. Brevemente, as etapas clássicas do choque cultural são: euforia → frustração → adaptação → aceitação. Ou seja, aquele modelo de U, onde se passa por uma lua de mel, depois pela percepção de rotina e da realidade com menos brilhos, entende-se o funcionamento das regras e daquela cultura para então poder adaptar-se.

O retorno: o choque cultural reverso

Assim como na adaptação pode haver um choque cultural para algumas pessoas, para outras é o retorno que se torna um grande problema. Há um choque cultural reverso, um sentimento de que não é mais possível retornar à vida que se tinha antes. Uma sensação de não caber mais naquele espaço ocupado anteriormente, de não se imaginar frequentando os lugares que frequentava, com a rotina que tinha.

Não é raro um choque com a família quando a expectativa de não retorno não condiz com o que a família planejou ou mesmo com o que pode arcar. Aqui se colocam questões de ordem prática e legal, desde as possibilidades de estender o visto e a permanência até os alinhamentos com este novo momento.

Encontrando novas versões de si: o papel da escuta intercultural

Estar em um espaço geográfico diferente também é acessar espaços emocionais diferentes. Por vezes, dores que nem se sabia que se tinha aparecem, forças que se desconheciam também se revelam nesses desafios. Certamente é uma construção de uma nova versão de si, com desafios e potencialidades e estar amparado nesse momento faz toda a diferença.

Se você está planejando, vivendo ou retornando de um intercâmbio e sente que esses movimentos emocionais estão pesando mais do que o esperado, saiba que não está só. Um espaço de escuta sensível à sua cultura e à sua história pode fazer toda a diferença para aproveitar ao máximo essa transformação. Estou aqui para conversar – agende uma sessão online e vamos trilhar esse caminho juntos.

Imagen: Drazen Zigic no Magnific

Publicado originalmente em 01/03/2026 em: https://www.angelapsi.com.br/post/intercambio-um-enlace-dos-destinos-geograficos-e-psiquicos

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui aconselhamento psicológico, diagnóstico ou indicação de tratamento. Em caso de crise emocional, ligue para o CVV: 188 (válido no Brasil, 24h, gratuito). Se você está fora do Brasil, acesse findahelpline.com.

O Diretório de Psicólogos do SobreViverFora reúne profissionais brasileiros que atendem expatriados, com atendimento particular contratado diretamente com o profissional escolhido.